Vocês devem ter visto o vídeo do Neymar que circulou nas redes um pouco depois da eliminação do Brasil na Copa.
No vídeo, feito por IA, o Neymar atual encontra sua versão mais jovem e precisa contar a ele com muito pesar que não conseguiu realizar o sonho de ganhar uma Copa do Mundo.
Alguns instantes depois, chega um Neymar do futuro carregando a taça de 2030.
Quando eu vi esse vídeo, eu me emocionei.
Meus olhos encheram de lágrimas e confesso que, ao perceber, me senti até um pouco boba, afinal, era um vídeo feito por IA, sobre uma realidade improvável.
Vi alguns comentários de pessoas falando que não gostaram do vídeo, que ele soava ingênuo, até estúpido — afinal, não há nenhum heroísmo, e se ele mal jogou essa Copa, quanto mais a próxima.
Cheguei a questionar a legitimidade da minha emoção, mas depois de um tempo e de ver algumas análises mais sensíveis, entendi que aquele vídeo fala sobre emoções humanas, familiares de alguma forma a todos nós, sonhos, frustrações, realidades possíveis, futuros que nos esperam.
E se tenho buscado entender e me aproximar mais das minhas emoções, era natural o vídeo me emocionar. Mas ele tinha me tocado num lugar mais profundo, e eu não tinha entendido o porquê, até hoje, na terapia.
Ele me tocou, não pelas emoções humanas genéricas, mas porque eu me vi ali, em cada uma daquelas versões do Neymar.
Projetei ali meu eu atual, encontrando a Tati adolescente, tão romântica e sonhadora, e contando para ela sobre a nossa vida atual: temos uma família muito presente e amorosa, muita saúde, trabalhamos com algo de que gostamos, casamos com nosso primeiro namorado e melhor amigo, fizemos viagens incríveis, realizamos diversos sonhos e vivemos muitos momentos especiais.
Naturalmente, ela abriria um largo sorriso e ficaria feliz e empolgada pelo que o futuro reserva. Depois, provavelmente faria uma pausa, me olharia nos olhos e, considerando o quanto somos apegadas à família e a minha idade, me perguntaria:
“E filhos? Quantos tivemos? Meninos? Meninas? Como se chamam? Eles são legais?”
Muito provavelmente precisaria de alguns segundos para elaborar a resposta, de uma respiração profunda, e, sem conseguir conter as lágrimas, diria em voz alta, como aquele Neymar: “Não realizamos esse sonho ainda”, com toda a frustração, a tristeza e a culpa que essa resposta carrega.
Assim como no vídeo, a vida também nos traz uma dose de esperança. Há um futuro nos esperando, e ele chega acompanhado da conquista, do sonho realizado.
E essa cena, apesar de não ser realidade no caso do Neymar, pode ser no nosso.
“Você quer que eu tente mais uma vez?”, ele pergunta ao jovem.
Eu ouvi essa pergunta, como se ela fosse feita para mim.
Para que o futuro se concretize, como sonhei, a Tati DE HOJE não pode desistir.
Preciso acreditar, seguir acreditando, seguir tentando…
Para mim, esse vídeo não foi sobre o Neymar, nem sobre a Copa — ele serviu para me lembrar que eu também quero celebrar a minha vitória…
…e ela pode estar logo ali na frente.
❤️


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