A Flor

Hoje participei de um workshop de flores.

Mais um item para minha lista de atividades inesperadas que acontecem quando eu dou chance para o fluir da vida e para a falta de planejamento.

Acordei, peguei o celular e dei uma zapeada no Instagram, apareceu um anúncio do tal workshop, pensei em encaminhar para um grupo de amigas para combinarmos de participar, antes fui verificar a data, era hoje.

“Por que não?”, pensei.

Pedi mais informações, havia apenas uma vaga, a minha.

O workshop me lembrou da primeira vez em que abri minha agenda para o universo me levar aonde eu deveria ir.

“Culpa” do livro O Caminho do Artista, que propõe, como exercício de criatividade, um encontro semanal consigo mesma. Uma hora por semana, você com você mesma. Para levar você para brincar, passear, contemplar.

Confesso que ainda não realizo esse encontro com a frequência sugerida, mas as poucas vezes que fiz me surpreenderam e seguem me surpreendendo como o workshop de flores.

E desta primeira vez não foi diferente.

Fui a um café perto de casa, que tem um terraço externo com uma vista bonita para um vale. Levei um caderno e um lápis, caso desejasse escrever (já havia dado, sem perceber, uma função para o meu encontro: “faça-me criativa”) e tinha em mente tomar um chá com um bolinho de especiarias que eles têm por lá.

Cheguei, coloquei o celular no modo avião, me daria uma hora de contemplação, tempo para não pensar em nada, porque eu sou assim, “finjo” para mim que vou no flow e que posso me deixar levar e dançar conforme a música, que abro espaço para o universo falar comigo, mas com hora marcada na agenda… rs. “Seja breve, universo, você tem uma hora… valendo”.

Começo a tomar meu chá e meu bolinho, tentando contemplar a paisagem, enquanto a cabeça: “Contemplar, Tatiana, você só tem que contemplar, não pensa em nada”.

Começa uma ventania, um spoiler familiar da chuva de verão a caminho.

De repente, olho para frente e uma única coisa me chama a atenção.

Rente ao guarda-corpo de madeira do terraço, uma folhagem um pouco mais alta e uma ÚNICA flor.

Uma flor branca com sua haste fininha, comprida, se destacando no verde.

Fico olhando aquela flor.

Costumamos associar as flores a algo frágil, feminino, sensível e delicado.

Observo o vento apertar, ficar mais forte a cada minuto.

Sigo observando a flor.

Ela não parece preocupada com o vento, ela balança, vira para um lado, para o outro, por vezes estremece forte.

E eu penso: “Será que ela vai aguentar? Está meio forte para ela.”

Ela me prova o contrário, resiste, parece dançar com o vento.

De repente, eu me dou conta, descubro o segredo daquela flor e percebo o que ela estava me ensinando bem ali diante dos meus olhos.

A flor não resiste ao vento.

Suas hastes fininhas, flexíveis, não fazem dela mais frágil, pelo contrário, se ela fosse rígida, dura, se resistisse, possivelmente não conseguiria passar pela tempestade.

É justamente sua capacidade de se entregar ao vento que lhe permite dançar com ele e não quebrar.

A música ela não escolheu, o ritmo tampouco, é mais intenso do que ela gostaria, uma melodia que ela não controla.

Me emociono.

Eu sou essa flor.

Posso ser frágil e sensível e isso não é defeito.

Não há como negar o vento, resistir é inútil.

Preciso me entregar à minha tempestade, parar de resistir.

Ela me mostra que eu sou forte, muito mais do que eu sabia.

O vento acalmou, o chá acabou, o sol voltou.

A me lembrar…

“Eu não sou o que passa, eu sou o que permanece.”

A flor permaneceu.

❤️

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