Eu sou “alérgica” a música alta. Não tenho problemas em ir a shows, ou aumentar o som quando toca minha música preferida no trânsito.
Mas quando entro numa loja, na academia ou mesmo no carro com alguém e a música está muito alta ou barulhenta, me incomoda. “Véia”, a família brinca.
Mas recentemente, tenho aprendido que o silêncio pode ser tão ou mais incômodo que o barulho.
O silêncio pode ser igualmente ensurdecedor.
A diferença é que hoje tudo nos convida a nem se permitir escutá-lo.
Preenchemos cada espacinho, cada vazio.
Ontem fui almoçar na casa da minha avó, a TV estava ligada ao fundo, sem ninguém assistir. “É para ter um barulho, não parecer que estou sozinha”, ela disse.
Não entendi muito bem, mas repito de outras formas o mesmo padrão. Ligo o Spotify para arrumar a casa, ponho o podcast que não tive tempo de ouvir enquanto lavo a louça, ouço o devocional do dia enquanto dirijo.
Nunca falta SOM.
Mas do que será que a gente fala quando tudo se cala?
Que vozes são essas que precisam ser ouvidas, mas que parecem que ficam ali bem baixinhas, num ruído constante, quase como se precisassem ser devidamente sintonizadas para serem ouvidas?
A frequência? O silêncio.
Ou melhor, a DISPONIBILIDADE para o silêncio.
É natural querermos abafar o som, colocar caixas de ovos nas nossas paredes.
Afinal, quase nunca a música é agradável aos ouvidos como um Michael Bublé. Ela está mais para música do Muse (eles me desconcertam um pouco) ou para som de bateria quando tocada desgovernada por uma criança.
Mas tenho percebido que essa é a trilha mais importante de ser ouvida, é a que me direciona, que me mostra o que eu estou pensando, sentindo, o que está me incomodando, o que não está fazendo sentido para mim, o que preciso mudar.
É a oportunidade de afinar a orquestra.
E não, eu ainda não medito em silêncio pela manhã (quero chegar lá), só tenho tentado, vez ou outra, fazer coisas que antes fazia com som, sem. Passar um café, sentar 5 min. na varanda para tomá-lo sem o celular, dirigir.
A tal PRESENÇA é que reduz a interferência e ajuda a sintonizar.
E quando eu consigo escutar essas vozes, deixá-las ecoarem, é aí que, de verdade, eu encontro o meu silêncio. ❤️


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